Franquias

Franquias

Em época de entrada no mercado de trabalho de esposas, filhos, aposentadoria de executivos,  e outros, sempre voltam as idéias da constituição de novos negócios e por vezes me consultam sobre franquias.

A minha opinião sobre o negócio, viabilidade e escolha sempre divergem conforme perfil do pretendente a empresário, experiência anterior, ramo de escolha, e tudo mais que compõe a relação de um pretenso franqueado, um franqueador e todo o mais.

Diante de algumas experiências de serviços prestados tanto a franqueados quanto a franqueadores, tenho para mim que a franquia é ideal aquele que não tem qualquer experiência comercial, sem grande interesse de criação ou desenvolvimento de produtos.

Como dizia um franqueador cliente, “...preferimos o funcionário de longos anos dentro de uma  empresa, pois está acostumado a receber ordens e não discuti-las...”. Pois é, o fato é que muitos incidem em conflito  em seus contratos de franquia pois querem agregar novos produtos, incrementar alguns serviços e tudo isso é impossível numa franquia, ou seja, o toque pessoal normalmente é mal visto em tal ramo.

Para os realmente empreendedores recomendo trabalhar na criação do seu próprio negócio, consultar as incubadoras de empresas, Sebrae, conversar com os administradores de shoppings e tentar entender melhor o que buscam.

Exemplos, alimentação tem necessidade permanente, mas o proprietário tem de ficar atento a prazos de validade e perda de produtos, normalmente tem mão de obra mais ostensiva, vestuário tem menor venda, e por ai vai, cada negócio e cada ramo têm sua peculiaridade. E isso que deve realmente ser pensado antes de definir no que investir.

É recomendável ao candidato ir às feiras específicas, conversar com outros franqueados, com os fornecedores dos produtos a serem utilizados, etc... Marcas conceituadas normalmente cobram altos valores para agregar um novo franqueado, as mais novas facilitam tal questão, mas não tendem ao mesmo sucesso comercial.

São conhecidos os casos de empresas que vendem suas franquias para outras regiões e tentam obrigar o franqueado a um pacote sem adaptação, uma marca de roupa carioca que não envia quase roupa de frio ao franqueado de Porto Alegre, ou ainda a empresa de sapatos gaúcha que insistem em enviar botas femininas até o joelho para o Rio Grande do Norte, para isso nada melhor que a pesquisa de campo.

Por conta de tal as inovações de produtos em novas localidades devem ser bem estudadas.

A franquia quando bem estudada é sim um grande negócio, rentável, interessante e recomendável a quem tiver o perfil para tal, pois muitos são os que embora proprietários da unidade franqueada sentem-se apenas um “gerente” do próprio negócio, pois suas ações, sua publicidade, seu uniforme, seu cartão de visitas, enfim, tudo, haverá de ser discutido e aprovado pela franqueadora.

Legislação

As franquias são regidas pela Lei 8.955/94, que prevê de forma clara e rápida o mínimo a se conter no contrato de franquia e a forma de sua contratação.

A Lei protege o candidato a franqueado e a este garante direitos, em especial, nada poderá ser cobrado do mesmo antes que este tenha acesso a uma série de documentos, que informem a situação da marca, faturamento, nome e dados de outros franqueados, etc...

Uma tratativa de franquia compõe-se portanto de apresentação da franquia, e em caso de interesse do candidato, este receberá, sem qualquer compromisso ou custo prévio, uma Circular de Oferta de Franquia, (COF), onde constarão, no mínimo, todos os dados previstos na Lei.

Após o recebimento de tal circular o candidato poderá optar ou não pela contratação. Qualquer valor pago antes deste tramite, ou ainda a assinatura de contrato antes de tal traz nulidade ao mesmo, com responsabilidade do franqueador, nos termos da Lei.

Dessa forma recomendo a todos interessados estudar a matéria, efetuar muita pesquisa de mercado e bons negócios.

Autor: Christiano Carvalho Dias Bello, advogado e consultor, sócio da Bello Advogados.

Email: Christiano@belloadvogados.com.br

09/04/2015   /   0 comentários