A Justiça e o design pela humanização

A Justiça e o design pela humanização

Em época de diversas mostras e exposições de design no mercado de luxo ou cotidiano, onde diversas formas de expressão e humanização de ambientes se encontram me perguntam qual a relação deste com a Justiça, ou o que um poderia ajudar o outro.

Não pretendo me ater a questões técnicas de desenho arquitetônico, de decoração ou ideias da psique quanto aos espaços e ambientes planejados e decorados, mas percebo um paralelo de nossa decoração com o momento do país e do mundo.

Quem não se recorda ou viveu tempos em fazendas ou sítios de vasto ambiente verde, muita agua por cachoeiras, lagos, rios ou grutas, e tinha no casario um mobiliário rustico, que sempre ornou bem com o lado externo verdejante e pujante de sua natureza em verdadeira contraposição?

Hoje a realidade é um pouco diferente e diante da rusticidade ou aridez de nossas cidades e dia a dia comercial os ambientes estão cada vez mais aconchegantes e acolhedores, como se pretendesse amparar seu usuário de um mundo menos natural e solidário.

Para tal ambientação passou a se valorizar e engrandecer o profissional condutor de tal, o arquiteto, designer, decorador, cenógrafo, paisagista, florista entre tantas outras profissões.

Pode parecer um paralelo sem sentido, e respeito as opiniões em contrário, mas o mesmo hoje se demonstra na Justiça, houve o tempo em que a mesma era árida e distante, mas diante de um mundo cada vez mais árido e seco a Justiça tem dado amostras de socialização, aproximação ao usuário e desburocratização.

Em poucos anos a Justiça deu grandes saltos com a digitalização de processos e procedimentos, que embora custe o emprego de alguns gera grande bem estar ao usuário final do sistema pelo incremento em transparência e agilidade. Outro ponto a favor são as campanhas a favor de conciliações e diminuição de litígios, bem como a legalização de uso de cartórios em geral para divórcios e inventários visando dar celeridade aos resultados.

Infelizmente ainda não houve o prestigio e valorização dos envolvidos com a Justiça, os operadores de direito, cartórios em geral ou em especial os advogados. A profissão outrora venerada passa o dia a dia em seu esvaziamento. Em que pese os novos mercados e possibilidades, estes são restritos a grandes centros e poucos conseguem a capacitação para atuar em tal.

O risco claro é de se perder o fio condutor pois num mercado qualquer onde se esvazia uma profissão se perde a qualidade, assim é com os jornalistas, contadores, médicos ou outros tantos, afinal porque se acredita necessário trazer médicos de outros países para clinicar no Brasil, qual a razão de tal, senão o desastrado sistema de planos de saúde e SUS que conseguem remunerar uma cirurgia de retirada de amidalas em cerca de R$ 80,00, oitenta reais a um médico?

Ah, mas é uma remuneração para se trabalhar com volume, dirão alguns, sim, positivo, mas uma única complicação em uma única cirurgia e o médico haverá de trabalhar outras cem ou duzentas cirurgias iguais para fazer frente ao “custo” de eventual erro, com advogados, indenizações e outros.

Semelhante caso é o da Justiça e os advogados, honorários não são esmolas, e sucumbência, (o que o juiz manda a parte perdedora pagar ao advogado da vencedora), não pode ser simbólica. Hoje justamente pela agilidade e necessidade de especializações os escritórios passaram a ser verdadeiras empresas, com funcionários, secretárias, estagiários, advogados encarregados de determinadas áreas, etc..., ocorre que a Justiça agracia o usuário final e desprestigia o meio de atuação deste, o advogado, que assim como o próprio judiciário tem papel fundamental e previsto e garantido na Constituição Federal.

Espero que a Justiça em sua modernização e humanização possa perceber e aprender o que fez evoluir e engrandecer a decoração, o design e outras tantas profissões que é profissional condutor desta, as empresas, institutos e sistemas são feitos de pessoas e essas sim devem ser louvadas, agraciadas e valorizadas.

Parabéns a todos profissionais do design, arquitetura, decoração e assemelhados, e que a Justiça possa aprender com essa parcela da sociedade que torna nossos lares mais humanos e aconchegantes.

 

Do autor : Christiano Carvalho Dias Bello, sócio de Bello Advogados Associados, Christiano@belloadvogados.com.br

09/04/2015   /   0 comentários